Brasil Dairy Trends 2020

173 controle e adequação Brasil DairyTrends 2020 industrializados. O objetivo é reduzir o consumo excessivo de sal (cerca de 40% do sal é composto de sódio), que está as- sociado a uma série de doenças crônicas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, problemas renais e cânce- res (BRASIL, 2007; BRASIL, 2011). O Ministério da Saúde vem participando da iniciativa de redução do consumo de sal conduzida pela Organização Pan -Americana da Saúde (OPAS), iniciada em 2009, com desta- que para as discussões do monitoramento do consumo de sal e sódio no continente e das políticas para sua redução, que reforçaram a construção de sistemas de monitoramento ins- pirados nas diferentes bases de dados existentes nos países e na incorporação de novas fontes primárias e secundárias, para permitir análises mais detalhadas da situação dos países e de suas políticas de redução. O Plano de Redução do Sódio em Alimentos Processados é componente do Plano de Redução do Consumo de Sal pela População Brasileira. Tendo em vista aspectos como o con- sumo domiciliar e o conteúdo de sódio, assim como critérios de vulnerabilidade de públicos específicos (particularmente crianças), foram selecionadas 12 categorias de alimentos para os quais o consumo e o perfil nutricional devem ser pactuados e monitorados prioritariamente no âmbito desse Plano. Dentre as categorias de alimentos prioritários para a pactuação e o monitoramento da redução do teor de sódio encontram-se os Laticínios (Bebidas Lácteas, Queijo Petit Suisse, Queijo Mussarela e Requeijão). No Brasil, em novembro de 2010, com a renovação do Fórum de Alimentação Saudável, entre o Ministério da Saú- de e a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), foi definido o compromisso pela redução voluntária do teor de sódio nos alimentos processados, como contribui- ção do setor produtivo às ações para a redução do consumo de sal/sódio no Brasil, cujo objetivo é a redução do consumo para abaixo de 5 g de sal per capita diários (equivalentes a 2.000 mg de sódio) até 2020 (BRASIL, 2011). Entretanto, apesar de o acordo entre o Ministério da Saúde e a ABIA ter retirado quase 15.000 toneladas de sal dos alimentos industrializados no Brasil desde 2011, não foi constatada alteração no número de pessoas com hipertensão no País (REDUÇÂO..., 2016). Uma das possíveis razões para isso é o fato de, no Brasil, os alimentos processados representa- rem a menor parcela do consumo de sódio da população, ao nomia de 500 milhões de dólares por ano e demonstrando que os benefícios econômicos e de saúde dos programas de redução de sal devem superar os custos de reformulação de alimentos (KLOSS et al., 2015). Nos países industrializados, cerca de 75%-80% do sal é obtido através do consumo de alimentos processados, 5%- 10% ocorre naturalmente nos alimentos que compõem a dieta e os restantes 10%-15% provêm de sal adicionado durante o cozimento e preparo dos alimentos. Em contraste, nos países em desenvolvimento, o sal usado para temperar tem um papel muito mais importante. Na China, por exem- plo, isso representa 76% do total de ingestão de sal (KLOSS et al., 2015). Em condições normais de saúde, cerca de 90% do sódio ingerido é excretado nas fezes ou através da urina (DAWSON -HUGHES, 2009). Ainda que o corpo humano possa excretar grande parte do sódio ingerido, o consumo excessivo desse mineral pode ocasionar dois importantes problemas de saúde pública: elevação da pressão arterial sistêmica e aumento da excreção renal de cálcio, podendo, no longo prazo, resultar em osteoporose (CRUZ et al . 2011). A hipertensão arterial sistêmica (HAS) mostra relação direta e positiva com o risco cardiovascular e nota-se que, apesar dos progressos na prevenção e controle, ainda é um problema grave de saúde pública. No Brasil, estima-se que a prevalência de hipertensão varie de 22,7% a 43,9%. Essas altas taxas contribuem para 31,8% dos óbitos dos brasilei- ros por doenças cardiovasculares (SALOMÃO et al., 2013). Acredita-se que ela seja responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. Daí a importância e preocupação com o tratamento e controle da hipertensão (BRASIL, 2010). No Brasil, o Ministério da Saúde, juntamente com a Agên- cia Nacional de Vigilância Sanitária e a Associação Brasileira de Supermercados, lançou a campanha intitulada “Menos Sal, Sua Saúde Agradece”, a qual tem por objetivo conscien- tizar os consumidores sobre o assunto e orientá-los na esco- lha de opções mais saudáveis no dia a dia (ANVISA, 2011). Já o Plano Nacional de Redução do Consumo de Sal estabe- lece metas para uma redução gradual do teor de sódio em di- versos alimentos processados, fazendo um acompanhamento periódico para avaliação dos resultados. O documento define o teor máximo de sódio a cada 100 gramas em alimentos

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