Brasil Dairy Trends 2020

214 premiumização e sensorialidade Brasil DairyTrends 2020 quisas que comprovam as necessidades nutricionais e sen- soriais diferenciadas entre faixas etárias e gêneros. Os dados do IBGE vêm apontando, por meio dos indicadores sociais e demográficos, que a estrutura etária do Brasil está mudando e que o grupo de idosos tornou-se um contingente popula- cional expressivo em termos absolutos e de crescente impor- tância relativa no conjunto da sociedade. Isso significa que existe um mercado consumidor em crescimento acelerado e, portanto, entender as verdadeiras necessidades e desejos dos idosos é altamente importante para que as empresas consi- gam acompanhar as mudanças psicográficas e comportamen- tais da população brasileira. No caso de produtos específicos para idosos, ainda há escassez e não há investimentos claros em propaganda. O que se tem são produtos adicionados de ingredientes que atendem ao exigido por esse mercado con- sumidor, como aqueles adicionados de cálcio para a saúde dos ossos, fortificados com vitaminas e minerais ou com pro- teínas e aminoácidos para reposição de massa muscular. O mercado mundial de nutrição infantil é estimado em US$ 50 bilhões e deverá ser a categoria com crescimento mais rápido nos próximos cinco anos, superior a 7% ao ano, reforçado pelos mercados emergentes (SOLER, 2014). As vendas de produtos específicos para crianças têm expectativa de aumento de US$ 23 bilhões em 2013 para US$ 29,8 bilhões em 2018 (PACKAGED FACTS, 2014a). Um quarto (23%) dos produtos de sucesso no mercado em 2013 foi específico para crianças, crescimento de 7% em relação a 2012 (IRI, 2014). Para as mulheres, a procura é por alimentos com com- ponentes funcionais e/ou direcionados a etapas específicas do ciclo de vida, como a gestação e a menopausa. Já para os homens, os produtos mais procurados são aqueles para aumento da força e energia e melhora da saúde sexual e/ou da saúde da próstata. A criação de búfalas, cabras e ovelhas para a produção de leite é muito desenvolvida em vários países ao redor do mundo. Apesar de estar concentrada em países asiáticos em desenvolvimento, nos quais o setor agropecuário se caracte- riza pela pequena escala de produção e finalidade de subsis- tência, a criação desses animais é considerada uma atividade em expansão, não somente no Brasil, mas em todo o mundo. Os consumidores estão cada vez mais informados da re- lação entre alimentos e saúde. Sendo assim, uma das ten- dências é a segmentação dos produtos baseada em gênero ou idade, de forma a atender às especificidades de cada um desses nichos de mercado. Baseando-se nisso haverá maior desenvolvimento de produtos com ingredientes que atuem so- bre o crescimento e desenvolvimento de crianças, a saúde da mulher nas várias etapas de seu ciclo de vida (adolescência, idade adulta, gravidez e menopausa), a saúde do homem e o público cada vez maior de idosos. As perspectivas são muito boas em relação à variedade de produtos e bebidas que são classificados como premium ou gourmet . Embora todos os produtos lácteos possam exis- tir em versões chamadas premium , elas são mais frequen- tes entre os queijos. Por exemplo, um queijo Prato lanche não seria classificado como premium , mas um Gouda ou um Tilsit, sim. Na Europa, encontram-se queijos Gouda e par- mesão, entre muitos outros, com diferentes níveis de matu- ração e com apelo de premiumização. De modo semelhante, na Inglaterra e nos EUA, há diferentes graus de maturação para o queijo Cheddar. Recentemente, pesquisadores da Universidade de Lon- dres observaram que pessoas que ingeriam pelo menos seis porções de frutas e vegetais por dia tinham reduzido o risco de morte, quando comparadas com aquelas que consumiam apenas uma porção. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza uma ingestão de 400 g/dia de frutas e hortaliças, o que equivale a cinco porções/dia ou 6% a 7% das calorias totais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003). No Brasil, esse consumo corresponde a apenas 2,3% das calorias totais da dieta, ou seja, a, aproximadamente, um terço do recomen- dado (LEVY-COSTA et al., 2005). As indústrias de alimentos têm desenvolvido formas alternativas de consumo de frutas e hortaliças, como purês de vegetais, para serem adicionados a sopas, molhos ou outros alimentos, pastas de cenoura e tomate e vegetais fritos, como brócolis e batatas. Além disso, os queijos adicionados de frutas também são inovações nessa área (Figura 8.2) e podem ser classificados como premium . Já no ano de 2011, no Brasil, observou-se essa tendência internacional de adição de frutas e/ou vegetais em queijos em importante evento da área laticinista do País, a 38ª Exposição de Produtos Lácteos (Expolac), realizada na cidade de Juiz de Fora-MG. Produtos inovadores como o requeijão de chocolate e avelã e o queijo goiaba (massa de mussarela e goiabada) foram apresentados.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTgxNA==